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sexta-feira, 7 de maio de 2010
A solidão necessária
"O homem tem medo do seu 'desconhecido' interior!"
Por muito tempo a solidão foi tratada como algo ruim ao ser humano, definida como “vazio interior”, associada ao isolamento de pessoas e até diagnosticada como doença. Toda definição de solidão como algo plenamente negativo está equivocada. O ser humano, por natureza, tende a ser para os outros, a se relacionar e a viver em sociedade, mas também tem necessidade de estar consigo mesmo, de viver uma solidão necessária.
Não me refiro aqui ao isolamento patológico, aquele que surge mais como sintoma de uma enfermidade e que não pode ser definida apenas como um sentimento, como é o caso da depressão, por exemplo, visto que esta deve ter o acompanhamento profissional e tratamento médico.
O homem moderno é um fugitivo, talvez a grande causa desse problema esteja na fuga de si mesmo, na incapacidade de estar a sós. Ele foge de uma solidão que quer lhe fazer bem.
Muitas pessoas evitam uma solidão que lhes permite estar consigo mesmas, fogem então da possibilidade do encontro, da cura, do autoconhecimento. Geralmente fugimos de algo que nos assusta, daquilo que não queremos enfrentar e que nos causa dor e tristeza.
Ainda quando crianças tínhamos medo do escuro ou dos “monstros” que poderiam surgir dos lugares mais bizarros de nossa casa, enfim, tínhamos o medo do misterioso e das fantasias criadas por nossos pais e por pessoas com as quais convíviamos. O homem moderno continua temendo o desconhecido, no entanto, este não está nem tanto no exterior ou nas fantasias criadas pelos outros; o homem, ainda que inconscientemente, tem medo do seu “desconhecido” interior, de mergulhar nas profundezas do seu ser, e como a solidão é a porta para adentrar no desconhecido do seu “eu”, o homem cria mecanismos de defesa, entra no “agito”, no trabalho frenético, nas “baladas” sem fim, na busca desenfreada por dinheiro, sexo, diversão, tudo isso como medo de si mesmo.
Existe uma solidão necessária para o homem como alternativa da busca de si mesmo, mas não para se encerrar em si, mas para transcender, pois o ser humano, por si só, também é um poço de limites, entregue a si mesmo ele também não se satisfaz, mas sua finitude o impulsiona para o infinito. E aqui entra a maravilhosa descoberta filosófica – e por que não teológica - de Santo Agostinho: Noli foras ire, in teipsum redi: in interiore homine habitat veritas. Em português: “Não vá fora, entra em ti mesmo: no homem interior habita a verdade”.
No seu pensamento, Santo Agotinho, doutor da Igreja, percebe que quanto mais o homem fica no exterior, tanto mais esvazia-se de si mesmo; ao contrário, quando este entra em si mesmo, recolhendo-se em sua intimidade, é justamente aí que encontra Deus. Então, constatamos que o segredo para o ser humano é a intimidade consigo e com o seu ser espiritual.
Esse grande santo da Igreja não entende o homem espiritual como aquele que rejeita as coisas materiais, o homem espiritual, para ele, é antes de tudo aquele que tem a capacidade de mergulhar na sua alma e ali encontrar o Senhor, que faz morada na alma do homem.
No entanto, muitos de nós hoje não compreendemos isso, a nossa ideia de Deus lá nos céus, incapaz de ser alcançado, muitas vezes, é objeto do temor de entrarmos em nós mesmos e de nos conhecermos. Por isso, muita gente, quando foge da solidão, foge de si mesma e, por consequência, foge do encontro com o Todo-poderoso.
Existe em nós uma abençoada solidão, aquele “vazio” interior que não é algo ruim, mas sim, o convite do próprio Deus para O encontrarmos num lugar em nosso interior, no qual somente Ele habita. E ali é só Ele e você, nada e ninguém mais, silêncio e diálogo (oração). Todo homem recebe este convite, mas poucos respondem a ele. Portanto, nem toda solidão deve ser curada e reprimida, há a solidão como condição necessária para o encontro; esta deve ser vivida.
Daniel Machado
Comunidade Canção Nova
quinta-feira, 6 de maio de 2010
A sabedoria do silenciar
"Até os insensatos quando se calam passam por sábios!"
Sócrates, o sábio filósofo grego, dizia que a eloquência é, muitas vezes, uma maneira de exaltar falsamente o que é pequeno e de diminuir o que é, de fato, grande. A palavra pode ser mal-usada, mascarada e empregada para a dissimulação. É por isso que os sábios sempre ensinaram que só devemos falar alguma coisa “quando as nossas palavras forem mais valiosas que o nosso silêncio”. A razão é simples: nossas palavras têm poder para construir ou para destruir. Elas podem gerar a paz, a concórdia, o conforto, o consolo, mas podem também gerar ódio, ressentimento, angústia, tristeza e muito mais. “Mesmo o estulto, quando se cala, passa por sábio, por inteligente, aquele que fecha os lábios” (Pr 17,28).
O silêncio é valioso, sobretudo quando estamos em uma situação difícil, quando é preciso mais ouvir do que falar, mais pensar do que agir, mais meditar do que correr. Tanto a palavra quanto o silêncio revelam o nosso ser, a nossa alma, aquilo que vai dentro de nós. Jesus disse que “a boca fala daquilo que está cheio o coração” (cf. Lc 6,45). Basta conversar por alguns minutos com uma pessoa que podemos conhecer o seu interior revelado em suas palavras; daí a importância de saber ouvir o outro com paciência para poder conhecer de verdade a sua alma. Sem isso, corremos o risco de rotular rapidamente a pessoa com adjetivos negativos.
Sabemos que as palavras são mais poderosas que os canhões; elas provocam revoluções, conversões e muitas outras mudanças. A Bíblia, muitas vezes, chama a nossa atenção para a força das nossas palavras. “Quem é atento à palavra encontra a felicidade” (Eclo 16,20). “O coração do sábio faz sua boca sensata, e seus lábios ricos em experiência” (Eclo 16, 23). “O homem pervertido semeia discórdias, e o difamador divide os amigos” (Eclo 16,28). “A alegria de um homem está na resposta de sua boca, que bom é uma resposta oportuna!” (Pr 15,23).
Quanta discórdia existe nas famílias e nas comunidades por causa da fofoca, das calúnias, injúrias, maledicências! É preciso aprender que quando errarmos por nossas palavras, quando elas ferirem injustamente o irmão, teremos de ter a coragem sagrada de ir até ele pedir perdão. Jesus ensina que seremos julgados por nossas palavras: “Eu vos digo: no dia do juízo os homens prestarão contas de toda palavra vã que tiverem proferido. É por tuas palavras que serás justificado ou condenado” (Mt 12, 36).
Nossas palavras devem sempre ser “boas”, isto é, sempre gerar o bem-estar, a edificação da alma, o consolo do coração; a correção necessária com caridade. Se não for assim, é melhor se calar. São Paulo tem um ensinamento preciso sobre quando e como usar a preciosidade desse dom que Deus nos deu que é a palavra: “Nenhuma palavra má saia da vossa boca, mas só a que for útil para a edificação, sempre que for possível, e benfazeja aos que ouvem” (Ef 4, 29).
Erramos muito com nossas palavras; mas por quê?
Em primeiro lugar porque somos orgulhosos, queremos logo “ter a palavra” na frente dos outros; mal entendemos o problema ou o assunto e já queremos dar “a nossa opinião”, que muitas vezes é vazia, insensata, porque imatura, irrefletida. Outras vezes, erramos porque as pronunciamos com o “sangue quente”; quando a alma está agitada. Nesta hora, a grandeza de alma está em se calar, em conter a fúria, em dominar o ego ferido e buscar a fortaleza no silêncio.
Fale com sinceridade, reaja com bom senso e sem exaltação e sem raiva e expresse sua opinião com cautela, depois que entender bem o que está em discussão. Muitas vezes, nos debates, estamos cansados de ver tanta gente falando e poucos dispostos a ouvir. Os grandes homens são aqueles que abrem a boca quando os outros já não têm mais o que dizer. Mas, para isso, é preciso muito exercício de vontade; é preciso da graça de Deus porque a nossa natureza sozinha não se contém.
Deus nos fala no silêncio, quando a agitação da alma cessou; quando a brisa suave substitui a tempestade; quando a Sua palavra cala fundo na nossa alma; porque ela é “eficaz e capaz de discernir os pensamentos de nosso coração” (cf Hb 4,12).
Descobrindo o Novo Testamento
A manifestação do Cristo
Se por um lado, conhecer o Antigo Testamento é fundamental para entender o Novo Testamento; por outro, é preciso salientar a excelência desse último, visto que é nele que Cristo se manifestou e estabeleceu o Reino de Deus e nos revelou Deus Pai.
Por isso, os Evangelhos, em relação a toda a Sagrada Escritura, ocupam um lugar de destaque, porque relatam o Nascimento, a Vida, a Morte e a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Mas, infelizmente, muitos equívocos têm ocorrido com relação aos Evangelhos. Principalmente a respeito de sua origem apostólica e sua veracidade histórica.
Toda mãe traz os traços de Maria
"O amor materno é capaz de apoiar os filhos!"
Ser mãe vem ao encontro da plenitude do ser feminino. Toda mulher é chamada a gerar um novo ser humano, seja física ou espiritualmente. Com Maria, Mãe de Jesus, também foi assim. Ela foi escolhida por Deus para uma gravidez incomum, em que o fruto de seu ventre traria a vida eterna para toda a humanidade. Para isso Nossa Senhora contou com auxílio do Céu, nasceu imaculada, para o propósito divino de ser geradora do Salvador, mas o Pai dotou-a de virtudes naturais que são inerentes ao ser mulher e que, na maior parte dos acontecimentos de sua vida, ela dispôs do que lhe era humano para que o plano do Altíssimo acontecesse.
Desde a Anunciação, em que ela abre mão de seus planos de constituir uma família, até o Pentecostes, evento em que ela está firme e perseverante na oração junto aos apóstolos, o ministério de Jesus é marcado pela presença dela.
Como então separar Maria do ministério do Cristo?
É nesse caminhar junto, dispondo da energia natural ao que é vontade de Deus, que acontece a maternidade espiritual. Ser mãe é ser Maria na vida dos filhos, que não apenas os traz ao mundo, mas os encaminha para sua missão, indicando o que é nobre, justo e verdadeiro.
O amor do coração materno as impulsiona a estarem sempre presentes na vida dos filhos, não somente de forma física ou tomando-os como propriedades, mas vislumbrando na maternidade de Maria, como educar para o crescimento em estatura, sabedoria e graça diante de Deus e diante dos homens.
O grande milagre da vida realiza-se quando o sopro amoroso da existência, vindo de Deus, perpassa o ser de alguém que se desfaz de si para elevar o pequeno e indefeso até a grandiosidade de sua missão neste mundo.
Se foi tão importante para Nosso Salvador Jesus Cristo ter a presença materna até a vinda do Espírito Santo é porque o amor materno é capaz de apoiar os filhos de forma extraordinária na realização de um desígnio de vida.
Obrigado a todas as mães por serem Maria em nossas vidas!
Um feliz Dia das Mães e abençoado mês de Maria.
Sandro Ap. Arquejada - Missionário Canção Nova
sandroarq@geracaophn.com
domingo, 2 de maio de 2010
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